A ciranda ajardinada com timbalinos ao sol tão preciso como este meu sonhar em ascensão sublime, pois residimos no homicidio da luz

Mostro-te a capela em Sintra, onde em 1997 me reconheceram como poeta e lançei arroz nos recém casados, a Bibiloteca Nacional já viste e lá estudaste e no próximo verão, lerás ´A Virgem da Polónia´, o best seller do século XIX, de José Joaquim Rodrigues de Bastos, enquanto chego agora da Pastorinha e vi as trabalhadoras na paragem do 58, um encapuçado e um bandido de bigode e cicatriz no rosto, ladrão local que era chacota de dois homens e do Senhor João que sendo adepto da briosa, me serviu o café que poderia ser uma memoria da rapariga com quem falei no Parque Dom Manuel de Braga em 1996 e o belo Choupal, onde andei por ícones rosas de uniões seguidas pelo meu instinto felino de quem trata das porções da tristeza e as relança em tom delicado num pequeno lago, sim na casa do lago, onde nos tivemos e me fazias o café, para nos banharmos e tu nadas tão bem e foste tão longe e trouxeste joaninhas perdidas lá a meio de onde te avistava e agora sei porque te levei a casa, depois de voares a caminho de Lisboa; porque andavamos numa ciranda ajardinada com timbalinos ao sol tão preciso como este meu sonhar em ascensão sublime, pois residimos no homicidio da luz.

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